Silêncio [2]
O silêncio aos poucos retorna. Desta vez muito mais profundo, muito mais denso e poderoso. Desta vez ele é autônomo. Surge a hora que bem entende e não mais depende de fatores externos. É um silêncio auto-induzido. Forte. É um silêncio curativo. É um silêncio de intenções, de sofrimentos, de felicidade. Acima de tudo, de felicidade.
É tão sutil quanto a mais pura afeição. É tão longo quanto uma estrada até a China. Cheira ao perfume que lembra o amor. Lembra o amor que surgiu do silêncio que trouxe a felicidade que motivou o sofrimento que agora motiva a ressurreição. É filho da felicidade e do sofrimento. E, como todo filho, rebelde, quer libertar-se. Ultrapassar os limites impostos por aqueles que o geraram. Esse filho, o silêncio, é sereno. Ele carrega um sorriso banhado em lágrimas. Tem um brilho no olhar, uma voz calma. Tem mãos precisas. Acolhe e protege. É pesado, se necessário.Ele tem um objetivo. Prepara bases para algo maior. Queima com a esperança e a aspiração de um futuro que, hoje, é uma coisa do passado. Porém, não para ele. O silêncio está no mesmo lugar de sempre. Ele nada espera e, no entanto, é pura paciência.
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Posted on Monday September 20th
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