Cafe, cigarros e alguns trocados


Você acorda no meio da madrugada, seus olhos ardem e, subitamente, é como se tivesse sido transportado pra algum tipo de realidade paralela.

Ao abrir os olhos, a claridade atravessa a vista e parece permear sua cabeça com ainda mais dor. O difícil é perceber exatamente onde ela é real e onde é fruto das lembranças que cortam pedaços de caráter como uma navalha, sutil e precisa.

As imagens arrancadas cirurgicamente levam consigo sensações, algumas simplesmente agradáveis, outras tão boas que a consciência da distância delas, se afastando cada vez mais no passado, faz com que esse estranho desconforto se acentue ainda mais. E não adianta colocar as mãos no rosto pra fazer parar, ou para esfregar os olhos, numa tentativa insana de conter as lágrimas que caem, tanto pela ardência, quanto pelas lembranças e desespero, ao ver que não há nada a se fazer. Você não pode impedir.

Você simplesmente não pode impedir a vida de seguir em frente e agora parece perceber. É então que o medo bate à porta da sua insanidade e você solta um pequeno sorriso. Você abaixa a cabeça, procurando novamente a escuridão, caminha tonto pelo quarto, tateando soluções, se esbarrando, derrubando coisas, golpeando o que lhe bloqueia.

Chega um momento que não resta outra opção a não ser procurar a luz do desconforto e da dor. Pois por onde ela entra, uma vez removidas as grades, é por onde você finalmente pode fugir, pra encontrar…

Seja lá o que for.

Luciano Ribeiro


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